Prettu Abrakadabra diz: “Eu aceito as críticas de uma forma muito tranquila”

Em entrevista ao Blog do Fábio Sena, o comandante da Banda Abrakadabra afirmou que o clipe não passa de uma ficção, “não tivemos intenção nenhuma de fazer isso” disse Prettu. Ele também citou outras obras que passaram por críticas, como o clipe “Dança do Kong” de Alexandre Pires, que faria apologia ao racismo, mesmo ele sendo negro, e o filme “Tropa de Elite” que faria apologia ao crime e a violência. Além disso, ele diz que respeita a opinião dos movimentos sociais, mas questiona a fonte de dados publicados relacionados ao estupro. Num outro ponto ele convida a todos para realizar uma campanha contra a violência à mulher no facebook através da imagem da capa.

Imagem compartilhada pelo facebook da Banda Abrakadabra

Nas ultimas horas, a banda foi bombardeada por mensagens de apoio por internautas e fãs, até mesmo Márcio Victor da Banda Psirico mandou seu apoio através de um vídeo.

Entenda: Em dezembro, uma jovem publicou no facebook uma nota de repudio ao clipe “Tigrão Gostoso” da Banda Abrakadabra, essa nota ganhou força na ultima semana e foi assinada por diversos movimentos sociais e estudantis que acreditam que o personagem fictício “Tigrão Gostoso” enaltece a posição do estuprador. O vídeo já ultrapassa as 45 mil visualizações. Você confere a nota na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO AO CLIPE “TIGRÃO GOSTOSO” DA BANDA ABRAKADABRA

Nós, movimentos sociais, entidades estudantis e organizações, viemos declarar nosso repúdio à banda conquistense Abrakadabra e seus patrocinadores pela veiculação do clipe da música “Tigrão Gostoso”, disponível no youtube, link: http://www.youtube.com/watch?v=Dt9BxE7wf-I. No início do clip, retrata-se uma situação que é corriqueira na vida de todas as mulheres, que vivem diariamente o medo e a insegurança de serem violentadas ao andarem sozinhas à noite ou em ruas desertas. Entretanto, ao invés de se denunciar a violência sexual, o clipe se desenrola de forma a enaltecer a posição do estuprador, colocado como a figura do “tigrão gostoso”, de modo a associar a agressividade à masculinidade. Por outro lado, reforça a imagem da mulher como um ser frágil e submisso, sem autonomia de vontade, sendo explícita a apologia ao estupro durante toda a música, como pode-se perceber nos trechos: “mas eu tô com medo, você vai me machucar” ou “é na hora do pavor que o bicho vai pegar”.

Infelizmente, esse não é um caso isolado e não se relaciona apenas a um determinado estilo musical. Cotidianamente, as infinitas formas de violência contra a mulher passam despercebidas nas rádios, na TV, nos outdoors. A exemplo disso, temos as propagandas de cerveja e de determinadas festas, em que os corpos seminus das mulheres são utilizados com objetivos comerciais, reforçando o estereótipo equivocado da mulher como mercadoria, como objeto sexual, reproduzindo discursos e práticas machistas, num processo de mercantilização do corpo feminino.

A violência é utilizada como forma de controle sobre a vida, o corpo e a sexualidade das mulheres, como uma punição para aquelas que não obedecem aos padrões de conduta a elas impostas. O estupro é talvez a manifestação mais cruel da violência machista, pois anuncia o fato de que a mulher não tem possibilidade de escolhas sobre o seu próprio corpo, e que nossas vidas estão inscritas no limite da subordinação aos homens. O medo do estupro restringe a liberdade de ir e vir das mulheres, viola o seu direito de livre expressão (de poder se vestir como quiser, por exemplo), sendo que a cultura do estupro culpabiliza a mulher pela violência sofrida, pelo fato de estarem utilizando determinadas roupas ou frequentando determinados locais.

No Brasil, as estimativas acerca da violência crescem assustadoramente a cada ano (somente no ano de 2012, o número de estupros notificados chegou a 50 mil), e casos de estupro coletivo indignam a sociedade, que se mobiliza exigindo a punição, como o da Banda New Hit, cujos 9 integrantes, no ano passado, violentaram covardemente duas jovens menores de idade após um show em praça pública na cidade de Ruy Barbosa, na Bahia. Diante disto, um clipe como este representa uma afronta aos direitos das mulheres e não ficará por isso mesmo! É inadmissível que uma banda lucre a partir da naturalização da violência e da apologia ao estupro! Vale lembrar aos integrantes da banda Abrakadabra que apologia ao estupro é CRIME punido com detenção pelo Código Penal, em seu artigo 287.

Desta forma é que iniciamos esta campanha de denúncia, exigindo que a produção da banda e os patrocinadores se retratem e retirem do ar o clipe, contando também com a colaboração de todos e todas que leiam esta nota para que DENUNCIEM O VÍDEO NO YOUTUBE.

Não nos calaremos!

Contra a banalização da violência, seguiremos em marcha!

Assinam esta nota:

Marcha Mundial das Mulheres

Núcleo Maria Rogaciana

Centro Acadêmico de Ciências Sociais da UESB

Centro Acadêmico de Direito da UESB

Centro Acadêmico de Comunicação Social da UESB

Centro Acadêmico de Nutrição da UFBA

Núcleo Maria Rogaciana

Núcleo Negra Zeferina

União de Mulheres de Vitória da Conquista

Levante Popular da Juventude

Consulta Popular

Movimento Negro Unificado

Sindicato dos Bancários de Vitória da Conquista e Região

Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza Pública da Bahia – SINDILIMP

Circuito Fora do Eixo

Grupo ELO

Enegrecer – Coletivo Nacional de Juventude Negra

Diretório Central de Estudantes – UFBA

Centro Acadêmico de Ciências Sociais/ UESB

Centro Acadêmico Ruy Medeiros – Direito/ UESB

Centro Acadêmico de Geografia – UESB

Centro Acadêmico de Nutrição IMS/UFBA – Gestão RenovAÇÃO

Centro Acadêmico de Comunicação – UESB

Centro Acadêmico Machado Neto – Direito/ FAINOR

Diretório Acadêmico de Engenharia Elétrica – IFBA

Centro Acadêmico de Filosofia – UESB

Diretório Acadêmico Luislinda Valois – Direito/ UNEB – Campus XX)

Federação de Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB

Associação Brasileira de Estudantes de Engenharia Florestal – ABEEF

GUNALE – Grêmio da União Aluno-Escola IFBA

PS: Estas são as empresas que patrocinam o clipe: Centro de Estética Dr. Humberto Neto; Zip Nautica Vitória da Conquista; Mil Coisas Moda Fitness; MNA Suplementos; Life Club Academia; danilonune.com.br; YagoBorges Designer Gráfico.

Você também pode conferir o clipe da música e a entrevisa na íntegra: